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“Campo Geral”, individual de Ícaro Lira

(São Paulo, SP)

A CENTRAL Galeria de Arte recebe até dezembro “Campo Geral”, individual de Ícaro Lira. O artista apresentará trabalhos que propõem uma reflexão sobre os movimentos migratórios originados pela seca, que começaram no Ceará, no final do século XIX. A curadoria é de Marta Ramos-Yzquierdo.

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Nos últimos seis anos, Lira vem analisando as implicações e desdobramentos de atos políticos e históricos através de um trabalho documental, arquivista, arqueológico e de ficção. Suas exposições têm apresentado estruturas similares a pequenos museus nas quais o artista reúne diversos fragmentos da historia brasileira. Para sua mostra na CENTRAL, ele investigou duas rotas migratórias no Ceará, sua terra natal, que marcaram o trânsito de retirantes desde a década de 1840.

A primeira delas, constituía-se por pessoas que haviam abandonado suas terras por conta da estiagem e procuravam comida e trabalho na capital. Eram então percebidas como elementos que incomodavam, depunham contra a imagem de progresso, beleza e modernidade que o estado procurava ostentar em um clima de belle époque. Campos de Concentração foram criados para evitar que elas de fato chegassem à cidade, nos quais ficavam segregadas, sem poder sair, à espera de melhor sorte.

Já a segunda rota era constituída por homens, também fugindo da seca, tentados a buscar um futuro melhor com as promessas de um novo Eldorado no ciclo da borracha da Amazônia.

“As leis e decisões dos governos, além dos poderes oligárquicos e religiosos, converteram esse estado de seca em um laboratório de novas medidas higiénicas, compartimentais, médicas e de controle da população. Os efeitos disto são percebidos e repetidos até hoje.”, explica a curadora, Marta Ramos-Yzquierdo.

Com essas premissas, Lira viajou, durante os meses de julho e agosto deste ano, nessas duas direções: de Manaus a Fortaleza, e de Fortaleza a Crato (lugar do campo de concentração mais afastado no sul do sertão cearense).

Ele fez essas viagens que eram vendidas como uma chance de “entrar” no sistema, mas que serviram unicamente para continuar fora das “oportunidades” oferecidas pela modernidade. Durante esses trânsitos, estabeleceu um diálogo continuo com a curadora Marta Ramos-Yzquierdo, para a reflexão sobre as migrações, suas paisagens (física e sociais) e sua construção histórica.

Os documentos, correspondências e peças nascidas durante as viagens serão o núcleo principal da exposição. A união de olhares polissêmicos – os registros e depoimentos durante a viagem, do artista, da curadora e outros convidados – trarão assim um percurso pela historia, memória e vida dessas “inserções que excluem”.

“Campo Geral”, individual de Ícaro Lira
Curadoria de Marta Ramos-Yzquierdo
Abertura: 7 de outubro
Em cartaz até 5 de dezembro

CENTRAL Galeria de Arte
Rua Mourato Coelho, 751 – Vila Madalena
Funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
T: +55 11 2645-4480
info@centralgaleriadearte.com


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