Vídeo-entrevista com Ana Paula Oliveira

“Um novo projeto não começa, ele é um processo, de um trabalho para outro. Vai se formando, acontecendo até se colocar no mundo.”

Assim a artista Ana Paula Oliveira responde à pergunta proposta pela crítica e curadora Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

Para exemplificar, Ana Paula fala sobre a instalação “Ainda que te vi”. A inspiração veio de viagens da artista pelo interior do Brasil, de observações de nuvens muito pesadas, que a artista traduziu como pedras de mármore suspensas. “Isso ficou muito tempo na minha cabeça (…) Não bastava esse céu – não sei se é céu ou se é chão suspenso – são todas essas relações que você pode estabelecer.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Ana Paula Oliveira, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página da artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

PIPA Online | 8 artistas passam para o 2º turno

A votação do primeiro turno do PIPA Online 2014 encerrou à meia noite de ontem (27 de julho).

8 artistas obtiveram os 500 votos necessários para passarem para a próxima fase.

O segundo turno acontecerá na próxima semana. Do dia 3 a 10 de agosto.

O artista que obtiver mais votos na próxima fase será o vencedor do PIPA Online Popular, e receberá o prêmio de R$5mil.
O vencedor do PIPA Online será decidido, por um júri, entre os 5 artistas mais votados no 2º turno. Ele receberá o prêmio de R$10 mil além de uma participação de 2 meses no programa de residências, no renomado Instituto Sacatar, na Bahia.

Veja a seguir quem são os 8 artistas classificados para o segundo turno:

Diego de Santos – 594
Toz – 574
Ronald Duarte – 567
Pablo Ferretti – 548
Paulo Nimer Pjota – 547
Daniel Escobar – 544
Arthur Scovino – 535
Fernando Mendonça – 527

A seguir os votos recebidos pelos outros artistas.
É bom lembrar que todos são artistas indicados por especialistas espalhados pelo Brasil e também do exterior.
O PIPA Online foi criado justamente com a intenção de fazer com que o público conheça os trabalhos de todos artistas indicados, que retratam o momento da arte contemporânea brasileira.

1º turno PIPA Online | Últimas horas | Votação encerra à meia noite

A votação no primeiro turno do PIPA Online 2014 vai até 27 de julho de 2014.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Este ano a versão Online do PIPA tem duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

O NÚMERO MÍNIMO DE VOTOS PARA O ARTISTA PASSAR AO SEGUNDO TURNO SÃO 500 VOTOS.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Veja a relação de artistas que estão concorrendo e qual a sua classificação no ranking até o momento:
(votos computados às 16h40, do dia 27 de julho)

5ª parcial de votos no PIPA Online 2014 | Votação se encerra amanhã à meia noite

A votação no primeiro turno do PIPA Online 2014 vai até 27 de julho de 2014.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Este ano a versão Online do PIPA tem duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

O NÚMERO MÍNIMO DE VOTOS PARA O ARTISTA PASSAR AO SEGUNDO TURNO SÃO 500 VOTOS.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Veja a relação de artistas que estão concorrendo e qual a sua classificação no ranking até o momento:
(votos computados às 19h20, do dia 26 de julho)

Novo vídeo| Zezão em conversa exclusiva com o PIPA

José Augusto Amaro Capela, o Zezão, começou na década de 90 a conquistar com os seus “graffiti” espaços subterrâneos da cidade de São Paulo.

Neste vídeo ele responde à pergunta da crítica e curadora Renata Azambuja: “A sua forma de trabalhar é solitária ou envolve o coletivo?”

O artista explica como seu caminho dentro da arte o levou cada vez mais para longe do trabalho coletivo, mas ao mesmo tempo, sendo um artista auto-didata, acredita que a rua foi a sua universidade e a sua próprias vivência foi determinando sua trajetória.

Atualmente tendo o grafite apenas como uma das vertentes do seu trabalho, o artista conta que não apenas busca documentar sua obras como procura lugares específicos para pintar que possam gerar uma fotografia interessante, onde o “trabalho converse com a arquitetura”, por exemplo.

Assista ao vídeo:

Para mais informações sobre sua carreira e imagens de seu trabalho, acesse a página de Zezão.

1º turno do PIPA Online acaba neste domingo

A votação no primeiro turno do PIPA Online 2014 vai até 27 de julho de 2014.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Este ano a versão Online do PIPA terá duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

O NÚMERO MÍNIMO DE VOTOS PARA O ARTISTA PASSAR AO SEGUNDO TURNO SÃO 500 VOTOS.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Veja a relação de artistas que estão concorrendo e qual a sua classificação no ranking até o momento:
(votos computados às 17h20, do dia 25 de julho)

Assista às novas entrevistas exclusivas com artistas indicados ao PIPA 2014

Esta semana lançamos quatro novas entrevistas. Conversamos com os artistas Beto Shwafaty, Rodrigo Braga, Toz e Virginia de Medeiros.

Beto Shwafaty

O artista desenvolve uma prática baseada em pesquisas sobre espaços, histórias e visualidades, na qual procura conectar formalmente e conceitualmente questões políticas, sociais e culturais convergentes ao campo da arte. Nesta entrevista, ele responde à pergunta da crítica e curadora Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

Shwafaty diz: “Eu não tenho particularmente uma rotina de trabalho. Minha vida é bastante agitada e acho que minha própria prática reflete isso: não repito trabalhos, não trabalho muito com séries, cada novo projeo eu tento pensar que linguagem, que materialização é a melhor para aquilo que eu estou tentando comunicar e construir.”

O artista ainda conta sobre “Remediações (atualmente em cartaz no Paço das Artes, São Paulo), uma vídeo-colagem em que o artista tenta “desconstruir e criar colisões entre essas narrativas, esses discursos nacionais de progresso.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Beto Shwafaty, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Rodrigo Braga

“Quando eu decido fazer é quando não dá mais para esperar. Quase por uma condição em que eu já estou saturado de não poder fazer mais. Acontece de eu dar uma parada, me isolar, escapar um pouco de uma condição rotineira que a gente vai assumindo.”

Assim Rodrigo Braga inicia sua resposta à pergunta de Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

O artista diz não trabalhar muito em seu ateliê, por não ter uma rotina de criação. “A coisa geralmente acontece nume stado de espírito, numa iminência de acontecimentos”, diz.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Rodrigo Braga, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.


Toz

O grafiteiro Toz nasceu em Salvador, vive no RIo de Janeiro e seus personagens são inspirados na vida urbana moderna. Neste vídeo ele responde a uma pergunta do também artista Cadu, que quer saber: “Onde começa a vida e termina a arte?”.

Tomaz Viana, o Toz, conta que na infância sua mãe, que estudava Belas Artes, o levava para assistir algumas aulas, e que o pai o levou para fazer sua primeira tatuagem com apenas 9 anos.
Fala de como seus personagens começaram a ficar conhecidos e ganhar características específicas, e das diferenças entre fazer trabalhos na rua ou numa galeria: “na rua você passa de carro, você nunca vê um grafite com calma. Já numa galeria você tem todo o tempo do mundo para sentar e apreciar o trabalho.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Toz, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Virginia de Medeiros

O trabalho de Virginia de Medeiros converge de estratégias documentais, para ir além do testemunho, questionando os limites entre realidade e ficção. A artista lida com três pressupostos comuns aos campos da arte e do documentário: o deslocamento, a participação e a fabulação.

Neste vídeo Virgínia fala de sua vontade por desconstruir os estereótipos da feminilidade, tema que faz parte do seu projeto de mestrado. “Comecei a me interessar por um trabalho com as travestis porque elas se construíam a partir de um mito que eu estava desconstruindo no meu mestrado.”

Ela conta também da “poltrona dos afetos”, onde as travestis sentavam para conceder relatos em vídeo, que compuseram seu trabalho “Studio Butterfly”.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Virgínia de Medeiros, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página da artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Rodrigo Braga em vídeo-entrevista exclusiva

“Quando eu decido fazer é quando não dá mais para esperar. Quase por uma condição em que eu já estou saturado de não poder fazer mais. Acontece de eu dar uma parada, me isolar, escapar um pouco de uma condição rotineira que a gente vai assumindo.”

Assim Rodrigo Braga inicia sua resposta à pergunta de Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

O artista diz não trabalhar muito em seu ateliê, por não ter uma rotina de criação. “A coisa geralmente acontece nume stado de espírito, numa iminência de acontecimentos”, diz.

Braga tem a fotografia e o vídeo como principais suportes, porém os considera intricados com outras formas de criação. “Não é à toa que a fotografia (…) traz um pouco de pintura, escultura.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Rodrigo Braga, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

3ª parcial | Primeiro artista passa para o segundo turno

O PIPA Online 2014 começou no domingo, dia 20 e vai até o dia 27.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Para passar ao segundo turno, os artistas precisam alcançar 500 votos do público.

O primeiro artista acaba de cruzar essa marca, e o segundo colocado está muito perto. Tês outros artistas já têm mais de 300 votos e outros seis estão com mais de 200.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Os artistas estão concorrendo em duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

Veja a terceira parcial de votos do 1º turno do PIPA Online 2014:com os artistas que já receberam votos na versão online do PIPA:
(votos computados às 19h10, de 24 de julho)

Vídeo-entrevista com Virgínia de Medeiros

O trabalho de Virginia de Medeiros converge de estratégias documentais, para ir além do testemunho, questionando os limites entre realidade e ficção. A artista lida com três pressupostos comuns aos campos da arte e do documentário: o deslocamento, a participação e a fabulação.

Em sua vídeo-entrevista, ela responde à pergunta “Como você escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho?”, proposta pela crítica e curadora Alejandra Muñoz, membro do Comitê de Indicação.

“Eu me interesso por entrar em situações onde exista uma moral diferente dos padrões normativos, me afetar por esses códigos sociais e ver que conexão isso vai provocar em mim”, diz a artista, cuja linguagem preferida é a vídeo-instalação.

Virgínia fala de sua vontade por desconstruir os estereótipos da feminilidade, parte de seu mestrado. “Comecei a me interessar por um trabalho com as travestis porque elas se construíam a partir de um mito que eu estava desconstruindo no meu mestrado.”

Ela conta também da “poltrona dos afetos”, onde as travestis sentavam para conceder relatos em vídeo, que compuseram seu trabalho “Studio Butterfly”.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Virgínia de Medeiros, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página da artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.