2ª parcial | Acompanhe a votação do PIPA Online 2014

O PIPA Online 2014 começou no domingo, dia 20 e vai até o dia 27.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Para passar ao segundo turno, os artistas precisam alcançar 500 votos do público.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Os artistas estão concorrendo em duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

Veja a segunda parcial com os artistas que já receberam votos na versão online do PIPA:
(votos computados às 20h10, de 23 de julho de 2014)

Pablo Ferretti – 360
Toz – 347
Arthur Scovino – 289
Paulo Nimer Pjota – 226
Diego de Santos – 202
Fernando Mendonça – 198
Ronald Duarte – 181
André Griffo – 179
Fábia Schnoor – 178
Willian Santos – 150
Zezão – 146
Daniel Escobar – 138
Rodrigo Cunha – 125
Virginia de Medeiros – 97
Renato Pera – 90
Waleska Reuter – 89
Thiago Martins de Melo – 88
Ana Paula Oliveira – 83
Daniel de Paula – 76
Beto Shwafaty – 75
Marina Weffort – 72
Alexandre Brandão – 51
Tamara Andrade – 47
Maikel da Maia – 46
Cristián Silva-Avaria – 45
Marcelo Jácome – 44
Virgílio Neto – 36
Fernanda Quinderé – 33
Ana Mazzei – 27
Eduardo Berliner – 26
Arjan Martins – 24
Rodrigo Braga – 22
Alexandre Vogler – 21
Ivan Grilo – 19
Cao Guimarães – 18
Marina Rheingantz – 18
Felipe Prando – 18
Luiz Roque – 18
Sofia Borges – 17
Armando Queiroz – 15
Gisele Camargo – 15
Otavio Schipper – 14
Marcone Moreira – 14
Wagner Malta Tavares – 14
Mayana Redin – 14
Lourival Cuquinha – 13
Alice Miceli – 12
Adriano Motta – 11
Alexandre Mazza – 9
Daniel Steegmann Mangrané – 9
André Santangelo – 9
Rodrigo Bivar – 9
Vanderlei Lopes – 9
Vivian Caccuri – 9
Aline Dias – 8
Yana Tamayo – 8
Clara Ianni – 7
Eneida Sanches – 5
Maurício Ianês – 5
Layla Motta – 4
Roberto Winter – 3
Runo Lagomarsino – 2
Bruno Schultze – 1

Vote no seu favorito

Todos os artistas ainda têm chances, já que ainda nem chegamos à metade do período de votação do primeiro turno. Veja como votar aqui.

Nova vídeo-entrevista com Toz | Artista indicado ao PIPA 2014

O grafiteiro Toz nasceu em Salvador, vive no RIo de Janeiro e seus personagens são inspirados na vida urbana moderna. Neste vídeo ele responde a uma pergunta do também artista Cadu, que quer saber: “Onde começa a vida e termina a arte?”.

Tomaz Viana, o Toz, conta que na infância sua mãe, que estudava Belas Artes, o levava para assistir algumas aulas, e que o pai o levou para fazer sua primeira tatuagem com apenas 9 anos.
Fala de como seus personagens começaram a ficar conhecidos e ganhar características específicas, e das diferenças entre fazer trabalhos na rua ou numa galeria: “na rua você passa de carro, você nunca vê um grafite com calma. Já numa galeria você tem todo o tempo do mundo para sentar e apreciar o trabalho.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Toz, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

PIPA Online 2014 | 1ª parcial

O PIPA Online 2014 começou no domingo, dia 20 e vai até o dia 27.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Para passar ao segundo turno, os artistas precisam alcançar 500 votos do público.

Estão concorrendo na versão Online do PIPA os artistas que optaram por participar da votação na internet, já que esta não é uma categoria obrigatória a todos os indicados em 2014.

Os artistas estão concorrendo em duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015;
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

Veja a primeira parcial com os artistas que já receberam votos na versão online do PIPA:
(votos computados às 10h30, de 22 de julho de 2014)

Pablo Ferretti – 264
Toz – 235
Arthur Scovino – 206
Paulo Nimer Pjota – 166
Fábia Schnoor – 152
André Griffo – 105
Fernando Mendonça – 104
Ronald Duarte – 101
Zezão – 97
Diego de Santos – 90
Willian Santos – 77
Thiago Martins de Melo – 74
Beto Shwafaty – 69
Waleska Reuter – 67
Renato Pera – 66
Rodrigo Cunha – 60
Virginia de Medeiros – 57
Ana Paula Oliveira – 54
Marina Weffort – 50
Daniel de Paula – 47
Marcelo Jácome – 31
Daniel Escobar – 29
Maikel da Maia – 21
Fernanda Quinderé – 17
Virgílio Neto – 16
Eduardo Berliner – 15
Ana Mazzei – 13
Arjan Martins – 13
Rodrigo Braga – 13
Cao Guimarães – 12
Felipe Prando – 12
Alexandre Vogler – 12
Armando Queiroz – 11
Ivan Grilo – 11
Wagner Malta Tavares – 11
Luiz Roque – 11
Gisele Camargo – 10
Adriano Motta – 9
Marina Rheingantz – 8
Marcone Moreira – 8
Yana Tamayo – 8
André Santangelo – 8
Mayana Redin – 8
Lourival Cuquinha – 7
Vivian Caccuri – 7
Tamara Andrade – 6
Otavio Schipper – 6
Sofia Borges – 6
Alexandre Brandão – 6
Alexandre Mazza – 5
Daniel Steegmann Mangrané – 5
Eneida Sanches – 5
Alice Miceli – 5
Vanderlei Lopes – 5
Aline Dias – 4
Maurício Ianês – 4
Clara Ianni – 3
Cristián Silva-Avaria – 2
Layla Motta – 2
Rodrigo Bivar – 2
Roberto Winter – 1
Runo Lagomarsino – 1
Bruno Schultze – 1

Vote no seu favorito

Todos os artistas ainda têm chances, já que ainda nem chegamos à metade do período de votação do primeiro turno. Veja como votar aqui.

Como votar no PIPA Online

A votação no primeiro turno do PIPA Online 2014 vai até 27 de julho de 2014.
Entre os dias 3 a 10 de agosto acontece o segundo turno.

Passam ao segundo turno os artistas que receberem o mínimo de 500 votos no primeiro turno.
Para o segundo turno a votação é zerada e recomeça do zero.

A divulgação do vencedor do PIPA Online Popular será no dia 11 de agosto, e a do vencedor do PIPA Online será no dia 22 de agosto de 2014. Um mesmo artista poderá vencer as duas categorias.

COMO VOTAR

Se você não tiver um cadastro no Facebook, mas desejar votar em um artista para o PIPA Online, o primeiro passo será criar uma conta. É rápido e gratuito.
Crie uma conta acessando: www.facebook.com

Se você já tiver um perfil no Facebook siga estes passos:
1) No menu do site do PIPA, clique em Votar no PIPA Online: lá está a lista de artistas que estão concorrendo;
2) Clique sobre o nome do artista em que deseja votar: a página dele será aberta;
3) Clique sobre o “votar” ao lado da pipa que fica no alto no canto direito da página;
4) Se você está conectado ao Facebook o voto será computado imediatamente; Se você não está conectado, seu email e senha serão solicitados, basta preencher os campos e seu voto será computado.
O PIPA não terá acesso aos dados fornecidos para login no Facebook.

ASSISTA AO VÍDEO COM O PASSO-A-PASSO PARA VOTAR NO PIPA ONLINE:

Ao que os artistas estão concorrendo?

Este ano a versão Online do PIPA terá duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015.
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
e PIPA Online Popular – onde o artista vencedor será o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil;

PIPA Online 2014 | Começa neste domingo com novidades

Recentemente fomos contatados pelo Sacatar que propôs uma parceria com o PIPA. A Instituto dirige um programa de residência aberto a artistas de todas as nacionalidades, na região metropolitana de Salvador, Bahia e é objeto de elogios das mais diversas fontes.

Na direção de um constante aprimoramento do Prêmio, decidimos aproveitar essa oportunidade para tornam a versão Online ainda mais relevante e qualificada, desmembrando o PIPA Online em duas categorias: PIPA Online e PIPA Online Popular.

Veja as regras para a versão Online do PIPA 2014:

• Todos os artistas indicados nesta edição serão convidados a participar;

• A participação não será obrigatória;

• A votação acontecerá online, nas páginas dos artistas nos sites do PIPA (pipa.org.br e pipaprize.com);

• A votação terá dois turnos;

• Passarão ao segundo turno os artistas que obtiverem no mínimo 500 votos;

• A contagem será zerada ao final do primeiro turno, e recomeçará do zero no segundo turno;

• Dentre os 5 artistas mais votados no segundo turno (incluindo portanto o vencedor do PIPA Online Popular), um será escolhido por um Júri e declarado vencedor do PIPA Online;

• O artista vencedor do PIPA Online receberá R$10 mil mais a participação por dois meses no programa de residência artística da Sacatar (em 2015 em data ainda a ser definida) e doará uma obra para o Instituto IP (a ser definida em comum acordo entre o artista e a coordenação do Instituto IP);

• O Júri será composto por Lucrécia Vinhaes (coordenadora e conselheira do PIPA), Luiz Camillo Osorio (curador do MAM-Rio e conselheiro do PIPA) e um representante da Sacatar;

• O Júri baseará sua decisão nos votos recebidos pelo público, na qualidade do material na página do artista no site do Prêmio e na carreira do artista;

• A participação no programa de residência artística da Sacatar e a doação em dinheiro não poderão ser desmembradas, caso o artista contemplado não queira, ou esteja impedido de participar da residência, ele perderá o prêmio e um novo vencedor será definido pelo Júri.

• O artista mais votado no segundo turno será declarado vencedor do PIPA Online Popular, receberá R$5 mil e doará uma obra para o Instituto IP (a ser definida em comum acordo entre o artista e a coordenação do Instituto IP).

Para mais informações acesse o Regulamento do PIPA 2014.

Datas para a versão Online do PIPA 2014:

20 de julho – Início das votações do 1º turno PIPA Online
27 de julho – Término das votações para o 1º turno do PIPA Online
03 de agosto – Início das votações do 2º turno PIPA Online
10 de agosto – Término das votações para o 2º turno do PIPA Online
11 de agosto – Anúncio do vencedor do PIPA Online Popular
22 de agosto – Anúncio do vencedor do PIPA Online

O site do PIPA

Com a criação de uma segunda categoria Online, queremos estimular os artistas a utilizarem os sites do PIPA como plataforma fundamental para divulgação de seus trabalhos, já que a definição do vencedor do PIPA Online se dará, em parte, pela análise das páginas do artistas nos sites do Prêmio.

Os artistas que quiserem fazer alterações em suas páginas devem enviar material para a coordenação do Prêmio através do email premiopipa@gmail.com. Podem ser incluídos vídeos, fotos e textos, em inglês e português. As alterações serão feitas o mais rápido possível, respeitando a ordem em que os materiais foram recebidos.

Beto Shwafaty | Vídeo-entrevista com o artista, indicado ao PIPA 2014

Beto Shwafaty desenvolve uma prática baseada em pesquisas sobre espaços, histórias e visualidades, na qual procura conectar formalmente e conceitualmente questões políticas, sociais e culturais convergentes ao campo da arte. Nesta entrevista, ele responde à pergunta da crítica e curadora Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

O artista diz que parte sempre de uma pesquisa, que o tipo de arte que ele produz é baseado nela e em processos de acumulação, de informação, exploração de arquivo e de acaso: “pesquisando para um projeto você acha dados que vão acabar despertando um novo projeto”.

Sobre o modo como conduz um projeto artístico, Shwafaty diz: “Eu não tenho particularmente uma rotina de trabalho. Minha vida é bastante agitada e acho que minha própria prática reflete isso: não repito trabalhos, não trabalho muito com séries, cada novo projeo eu tento pensar que linguagem, que materialização é a melhor para aquilo que eu estou tentando comunicar e construir.”

O artista ainda conta sobre “Remediações” (atualmente em cartaz no Paço das Artes, São Paulo), uma vídeo-colagem em que o artista tenta “desconstruir e criar colisões entre essas narrativas, esses discursos nacionais de progresso.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Beto Shwafaty, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Assista à terceira e última entrevista com Cadu sobre sua experiência na Residency Unlimited, em Nova York

Como parte do prêmio pela vitória do PIPA 2013, Cadu passou por um período de três meses de residência artística na Residency Unlimited, que acompanhamos através de duas entrevistas feitas via Skype.

No primeiro vídeo, o artista falou da sensação de retornar a Nova York após quatorze anos, e sobre como encara o ritmo acelerado da cidade que nunca dorme.

Na segunda entrevista, Cadu contou que entre 18 a 25 artistas participavam do programa ao mesmo tempo, permitindo que se encontrasse diariamente pessoas de várias partes do mundo.

Agora, recém chegado dos Estados Unidos, o artista concede sua última entrevista da série de três vídeos em que relata a experiência vivida na RU. Nela, Cadu fala da troca com artistas de diversas nacionalidades que o período de residência proporcionou e do projeto “Wind Line”, que foi criado e gerou uma exposição em Nova York.

O artista, que está se preparando para viajar para o deserto do Atacama, comenta que ainda não conseguiu destilar o que aconteceu em Nova York e já está tendo que se preparar pra uma nova viagem, sem ter tempo de realizar o processo de silenciamento que eu gosta de fazer antes de partir para uma nova experiência. “Mas ai eu me lembro de uma frase do Bukowski, de que criar você vai criar com o gato miando, com a criança chorando, com o cano vazando… Tem que fazer as coisas da maneira que você pode, não da maneira que você quer.”

Assista ao vídeo:

Acesse a página de Cadu para ver imagens de trabalhos, informações sobre sua carreira e outros vídeos exclusivos.

Durante sua estadia na Residency Unlimited, Cadu participou também de uma conversa sobre seu trabalho nos últimos dez anos com a curadora independente Regine Basha. Para saber mais sobre o evento, intitulado “Inside Out”, clique aqui (conteúdo disponível somente em inglês).

Veja algumas imagens de “Inside Out”:

Assista às outras duas entrevistas da série com Cadu sobre sua estadia na RU:

1º entrevista gravada em maio de 2014:

2ª entrevista, gravada em junho de 2014:

Os vídeos do PIPA são sempre produzidos pela Matrioska Filmes, com exclusividade para o Prêmio.

Le Monde destaca Berna Reale em exposição em Portugal

Esta semana, o blog do jornal francês Le Monde publicou matéria sobre a exposição “Artistas Comprometidos? Talvez”, do programa de cultura contemporânea “Próximo Futuro” da Fundação Calouste Gulbenkian de Portugal.

A matéria dá destaque entre outros para Berna Reale.

Para ler a matéria completa clique aqui:

A seguir uma tradução livre de trechos da matéria:

A Fundação Gulbenkian, instituição principal da cena de arte de Lisboa tem muitas facetas, além de sua arte clássica, coleções orientais ou decorativos. Um deles é o programa Proximo Futuro, que se dedica à arte contemporânea da África e da América Latina (e da Europa), com palestras, performances, filmes. A exposição atual (até 7 de Setembro) tem um título enganador: “Artistas Comprometidos? Talvez”. Espera-se um pensamento bastante político e social, e um questionamento do distanciamento do artista em relação ao seu compromisso. Sem dúvida este é um problema presente em algumas obras, mas mais difíceis de se identificar em outros, ou que aparecem mais em segundo grau, como disse o curador António Pinto Ribeiro: “a política não deve ser o patrocinador, mas o assunto. Isto é provavelmente o que mostram os meus favoritos entre as peças apresentadas, e especialmente os filmes.

Mais comprometidas, mais brutais são as performances da artista brasileira Berna Reale (que também é perita criminal), que falam do poder, da violência e das vítimas. Em “Ordinario”, ela coleciona restos humanos de pessoas desaparecidas e os transporta em uma carroça manual (tais como aquelas em que os mortos foram arrastados em campos de batalhas) pelas ruas esburacadas da cidade brasileira de Belém do Pará, toda vestido de preto, como anjo da morte trágica. Em “Palomo”, montando um cavalo vermelho, vestindo um uniforme completo de policial com um focinho, ela patrulha as ruas do centro, e “Soledade”, vestindo um elegante tailleur, Berna Reale conduz um carro de porcos nas ruas de uma bairro famoso por seu mercado de drogas. Esses rituais aparentemente evocam a ironia absurda do caos, uma poesia trágica de violência. Um nome para se lembrar.

 

Para mais informações sobre a exposição “Artistas Comprometidos? Talvez”clique aqui

Entrevistas com artistas indicados ao PIPA 2014

Anualmente, os artistas indicados ao PIPA são convidados a gravarem entrevistas via Skype exclusivas para o Prêmio.
Esta semana lançamos cinco novas entrevistas com os artistas indicado ao PIPA 2014: Daniel Escobar, Fábia Schnoor, Luiz Roque, Renato Pera e Virgílio Neto. Assista a essas entrevistas:

Daniel Escobar

O gaúcho Daniel Escobar, que usa elementos como cartazes de outdoor, panfletos, mapas e guias de turismo em seu trabalho, nos conta em vídeo que desenvolve um processo de criação relacionado com o contexto social, político, econômico, financeiro.

Fábia Schnoor

Fábia Schnoor tem formação em artes visuais, cerâmica, arte educação e design. Em sua entrevista ela responde a uma pergunta de Alejandra Muñoz sobre como escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho, explicando que muitas vezes essa escolha se dá por fatos do cotidiano que a estimulam.

Renato Pera

Renato Pera também responde à pergunta de Muñoz, dizendo que “começa com uma intuição de um assunto ou de uma imagem, (…) às vezes passando por uma rua e vendo a mesma coisa que eu sempre vi, de repente parece estranha.”.

Luiz Roque

Na conversa com Luiz Roque, o artista fala de seu interesse por vídeo e conta que seu envolvimento com arte se deu através do trabalho com direção de arte em cinema.

Virgílio Neto

Já Virgílio Neto, que foi indicado ao PIPA este ano pela segunda vez, fala da individual com mais de 200 desenhos que realizou no ano passado, e mostra seus cadernos que segundo o próprio são seus companheiros.

Assista às outras entrevistas com artistas indicados ao PIPA.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Vídeo-entrevista com Renato Pera

Renato Pera é um artista multimídia que nasceu e mora atualmente em São Paulo. A seguir você confere a vídeo-entrevista exclusiva do artista, indicado pela primeira vez ao PIPA esse ano.

Em resposta à pergunta de Alejandra Muñoz, membro do Comitê de Indicação 2014, sobre como o artista começa um novo processo artístico, Pera diz que “começa com uma intuição de um assunto ou de uma imagem, (…) às vezes passando por uma rua e vendo a mesma coisa que eu sempre vi, de repente parece estranha.”

O artista refere-se a janelas de um tipo específico, as quais já manipulou (série “Janelas Basculantes”), e pondera: “parece muito inusitado que, um elemento como uma janela ou um tijolo, eu possa sobrepor um sentido e propor novos significados pra ele”.

“Como cadeiras, cortinas, tecidos – são coisas, objetos do dia-a-dia que não interessam muito porque de fato são muito familiares e a minha vontade é sempre propor uma ficção para que eles se tornem não-familiares.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Renato Pera, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.