Entrevista com artista indicada Yana Tamayo

Yana Tamayo trabalha principalmente com fotografia, vídeo e desenho e vem expondo com regularidade desde 2003.

A artista responde à pergunta da crítica e curadora Alejandra Muñoz: “Como você escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho?”

Yana explica que, tendo nascido e crescido em Brasília, arquitetura é para ela ao mesmo tempo um tema familiar e estranho, e que mesmo não estando presente, a arquietura tem um diálogo instigante, “como se fosse uma coisa que deve estar no espaço, existir”.

Ela conta também sobre fotografias para um trabalho de faculdade que foram rejeitadas à época e recentemente descobertas em caixas marcadas “não” e “de jeito nenhum”. “Me atiçou uma curiosidade enorme em tentar entender o porquê eu tinha rejeitado as imagens e tentar reorganizar esse olhar sobre esse ofício.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Yana, suas obras e exposições, acesse a página da artista.

Para assistir a entrevistas com outros artistas indicados este ano e de edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Vídeo-entrevista com Rodrigo Cunha, artista indicado

Em sua vídeo-entrevista, Rodrigo Cunha responde à pergunta de Cadu, “Onde começa a vida e termina a arte?”.

O artista, que trabalha predominantemente com pintura, procurava externar seus sentimentos em desenhos – punks, rastafaris, capoeiristas, personagens que acabavam ganhando biografias. Gradativamente os desenhos foram se transformando em pinturas, devido ao aprendizado de Cunha na faculdade.

“A vida e a arte sempre estiveram muito entremeadas. E eu acho que é exatamente isso, construir a minha identidade, a forma como eu acho ser possível o indivíduo hoje em dia, com essas diversas possibilidades que são cada vez maiores (…) Eu tento me encontrar no mundo às vezes através da arte.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre sua carreira e ver fotos de suas obras, acesse a página de Rodrigo Cunha.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Diego de Santos vence o PIPA Online Popular 2014 | Cinco artistas ainda concorrem no PIPA Online

Foi encerrada no último domingo (dia 10) a votação do 2º turno da versão online do PIPA 2014. O artista Diego de Santos recebeu o maior número de votos do público e é o vencedor do PIPA Online Popular. Ele receberá o prêmio de R$5 mil.

Diego de Santos ainda concorre, junto aos outros quatro artistas mais bem colocados na votação, ao PIPA Online, com prêmio no valor de R$10 mil mais a participação por dois meses no programa de residência artística do Instituto Sacatar, na Bahia. O vencedor do PIPA Online será definido por um Júri e o anúncio acontecerá no próximo dia 22 de agosto.

Veja o placar final da disputa:

Diego de Santos – 1170
Fernando Mendonça – 1014
Daniel Escobar – 873
Toz – 813
Paulo Nimer Pjota – 788
Pablo Ferretti – 719
Ronald Duarte – 584
Arthur Scovino – 485

Os cinco artistas mais votados foram Diego de Santos, Fernando Mendonça, Daniel Escobar, Toz e Paulo Nimer Pjota. Eles concorrem agora ao PIPA Online 2014.

Entenda a diferença entre as duas categorias:

PIPA Online – cujo vencedor será um artista escolhido por um Júri dentre os 5 artistas mais votados pelo público no segundo turno. O vencedor receberá R$10 mil e participará da residência no Instituto Sacatar, por dois meses em 2015.
Um dos critérios que deverá ser adotado pelo Júri para definir o vencedor será a qualidade da página do artista aqui no site do PIPA.
PIPA Online Popular – onde o artista vencedor – já definido como sendo Diego de Santos – é o mais votado pelo público no segundo turno e receberá R$5 mil.

Saiba mais sobre o vencedor do PIPA Online Popular 2014:

Diego de Santos é formado em Artes Plásticas pelo IFCE e expõe desde 2005.
Recentemente foi premiado no Salão de Artes de Mato Grosso do Sul (edição 2013), além de ter sido premiado também no 8º Salão de Arte SESC Amapá, em 2010. Já participou de edições de feiras como SPArte, ARTRIO e Artigo.
Desde 2013 desenvolve um projeto de pesquisa e produção chamado “Lar é onde ele está”, no Porto Iracema das Artes – Escola de Formação e Criação do Ceará. O projeto consiste em investigar o conceito de lar no cotidiano dos caminhoneiros.
Tem obras no acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza), da Galeria Graça Landeira (Belém) e de vários galeristas, colecionadores e curadores no Brasil e no exterior.



No seu método de trabalho, Diego demonstra uma comunhão íntima com o ato de desenhar, não é uma ação rápida, é lentamente degustada, retirada do seu interior, às vezes chega ao final da tinta esferográfica, noutras a intensidade chega a criar fissuras no papel. A cor não está presente como elemento principal, ora nas delicadas linhas na imensidão branca do papel, ora no acúmulo da tinta que transpõe para o verso da obra, dando-lhe textura e volume. Antes de tudo, é um processo que é a expressão e a manifestação da alma.
Desenhar é o mais democrático ofício: pensamos, filosofamos, rimos, choramos, amamos e até passamos o tempo. Mas no momento em que o artista o faz como sua linguagem, articula significados da História da Arte, da vida e do mundo. Assim faz Diego que a partir desta técnica tradicional da arte, alia o uso de materiais simples, como a caneta esferográfica e o papel, à sua casa, seu corpo, sua morada.

* trecho de Entre o canto da casa e a esquina da rua, escrito por Jacqueline Medeiros em 2011.

A equipe do Prêmio parabeniza os cinco artistas mais votados no 2º turno da versão online do PIPA que concorrem agora ao PIPA Online, em especial Daniel de Santos, grande vencedor do PIPA Online Popular 2014.

Assista às três novas vídeo-entrevistas exclusivas do PIPA

Anualmente, todos os artistas indicados são convidados a gravarem entrevistas via Skype para o Prêmio. Este ano, cada artista responde a uma pergunta de um membro do Comitê de Indicação do PIPA.

Esta semana divulgamos três novas vídeo-entrevistas com artistas indicadas ao PIPA 2014 gravadas com exclusividade para o Prêmio. As entrevistadas foram: Berna Reale, Mayana Redin e Vivian Caccuri.


Berna Reale


Artista paraense que foi indicada ao PIPA pela primeira vez em 2012. Na época, não era representada por nenhuma galeria, e ainda não tinha sido descoberta pelos meios de comunicação que mais tarde a apelidariam de “Marina Abramović brasileira”, devido às suas performances impactantes. Já em 2012 venceu o PIPA Online e em 2013 foi finalista.

Trabalhando como perita criminal do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará, Berna vive de perto as mais diversas questões de delito e conflitos sociais. Em sua obra, a artista reflete sobre o mundo e a vulnerabilidade humana, tendo na violência seu grande foco de atenção.

Neste vídeo, perguntada se sua forma de trabalhar é solitária ou envolve o coletivo, Reale conta que pede muitos conselhos de amigos, principalmente críticos e curadores. É o que acontece agora com a performance “Não”, trabalho que está atualmente em desenvolvimento, que trata da violência sexual e que envolve 50 mulheres.

A artista, que vai fazer uma individual na capital da Inglaterra em outubro de 2015, conta de uma recente viagem à Londres para estudar inglês e de como sua sorte virou a partir de uma experiência inusitada com um pombo.

Assista ao vídeo:


Para saber mais sobre sua carreira e ver fotos de suas obras, acesse a página de Berna Reale.

Mayana Redin

É possível perceber, através do trabalho da artista, interesses pelo imaginário geográfico, cosmológico, filosófico e por outras formas de ficção criadas pela imaginação e pelos objetos do mundo, usando, para isto, diversas linguagens artísticas: desde apropriações de imagens e objetos, até o desenho, passando pelo vídeo e a fotografia.

A artista nos conta mais sobre seu processo criativo nessa vídeo-entrevista, em que responde à pergunta de Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

Mayana explica que muitas vezes seus projetos estão envolvidos em pesquisas e interesses teóricos que acabam gerando interesses práticos. “Às vezes há o inverso também – o interesse pelas coisas do mundo me leva a buscar algum tipo de pesquisa teórica.”

Com sua atuação no ateliê limitada pela atividade que exerce como professora universitária de Artes Visuais, a artista pondera que mesmo se tivesse tempo não ficaria sempre no “micro universo” de casa, do ateliê ou do escritório, já que sua prática se completa na rua, “onde talvez o pensamento consiga se abrir um pouco mais”.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Mayana, suas obras e exposições, acesse a página da artista.

Vivian Caccuri

Duas mesas – uma que funciona como um escritório e outra para trabalhos – algumas plantas, um sofá e muitos gravadores compõem o espaço onde trabalha Vivian Caccuri, cuja obra consiste em criar relações entre a gravação de sons, o espaço público, a voz e a imaginação por meio de performances, objetos e instalações.

Em resposta à Renata Azambuja, que pergunta “A sua forma de trabalhar é solitária ou envolve o coletivo?”, Vivian explica que seus projetos envolvem outras pessoas, e em algumas performances ela convida pessoas para criar apresentações.

Ela exemplifica com “Bananokê”, uma oficina cujo objetivo era “mostrar para pessoas que às vezes não tem intimidade com o fazer artístico quais são os passos a serem dados, desde o insight até a apresentação da ideia.” O resultado foi uma bananeira que funcionava como um karaokê, cujos microfones saíam das folhas como frutas.

“Agora eu estou cada vez mais me projetando para sair, ficar em volta, me envolver com as pessoas.”, analisa Vivian.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre sua carreira e ver fotos de suas obras, acesse a página de Vivian Caccuri.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Mayana Redin concede vídeo-entrevista exclusiva para o Prêmio

É possivel perceber, através do trabalho de Mayana Redin, interesses pelo imaginário geográfico, cosmológico, filosófico e por outras formas de ficção criadas pela imaginação e pelos objetos do mundo, usando, para isto, diversas linguagens artísticas: desde apropriações de imagens e objetos, até o desenho, passando pelo vídeo e a fotografia.

A artista nos conta mais sobre seu processo criativo nessa vídeo-entrevista, em que responde à pergunta de Alejandra Muñoz: “Em geral, na sua atividade, como começa um novo projeto artístico?”

Mayana explica que muitas vezes seus projetos estão envolvidos em pesquisas e interesses teóricos que acabam gerando interesses práticos. “Às vezes há o inverso também – o interesse pelas coisas do mundo me leva a buscar algum tipo de pesquisa teórica.”

Com sua atuação no ateliê limitada pela atividade que exerce como professora universitária de Artes Visuais, a artista pondera que mesmo se tivesse tempo não ficaria sempre no “micro universo” de casa, do ateliê ou do escritório, já que sua prática se completa na rua, “onde talvez o pensamento consiga se abrir um pouco mais”.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Mayana, suas obras e exposições, acesse a página da artista.

Para assistir a entrevistas com outros artistas indicados este ano e de edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Últimas horas para votar no 2º turno do PIPA Online 2014

Chegamos ao último dia de votação do PIPA Online 2014.
Participam da votação apenas os artistas indicados ao PIPA 2014 que obtiveram pelo menos 500 votos no primeiro turno.

Veja quem são os artistas que participam do 2º turno e quantos votos do público cada um conquistou até o momento:
(votos computados às 18h30, de 10/8/2014)

Diego de Santos – 1087
Fernando Mendonça – 887
Daniel Escobar – 811
Toz – 796
Paulo Nimer Pjota – 727
Pablo Ferretti – 635
Ronald Duarte – 582
Arthur Scovino – 483

O segundo turno acontece do dia 3 ao 10 de agosto.
O artista que obtiver mais votos no 2º turno será o vencedor do PIPA Online Popular, e receberá o prêmio de R$5mil.
Já vencedor do PIPA Online será decidido, por um júri, entre os 5 artistas mais votados no 2º turno. Ele receberá o prêmio de R$10 mil além de uma participação de 2 meses no programa de residências, no renomado Instituto Sacatar, na Bahia.

A dinâmica de votação no segundo turno funciona como no primeiro turno.
Se tiver dúvidas de como votar clique aqui.

21ª parcial | Último dia de votação do PIPA Online 2014

Chegamos ao último dia de votação do PIPA Online 2014.
Participam da votação apenas os artistas indicados ao PIPA 2014 que obtiveram pelo menos 500 votos no primeiro turno.

Veja quem são os artistas que participam do 2º turno e quantos votos do público cada um conquistou até o momento:
(votos computados às 14h32, de 10/8/2014)

Diego de Santos – 1053
Fernando Mendonça – 835
Toz – 780
Daniel Escobar – 777
Paulo Nimer Pjota – 719
Pablo Ferretti – 625
Ronald Duarte – 579
Arthur Scovino – 477

O segundo turno acontece do dia 3 ao 10 de agosto.
O artista que obtiver mais votos no 2º turno será o vencedor do PIPA Online Popular, e receberá o prêmio de R$5mil.
Já vencedor do PIPA Online será decidido, por um júri, entre os 5 artistas mais votados no 2º turno. Ele receberá o prêmio de R$10 mil além de uma participação de 2 meses no programa de residências, no renomado Instituto Sacatar, na Bahia.

A dinâmica de votação no segundo turno funciona como no primeiro turno.
Se tiver dúvidas de como votar clique aqui.

PIPA Online 2014 | Último dia de votação | 20ª parcial

Chegamos ao último dia de votação do PIPA Online 2014.
Participam da votação apenas os artistas indicados ao PIPA 2014 que obtiveram pelo menos 500 votos no primeiro turno.

Veja quem são os artistas que participam do 2º turno e quantos votos do público cada um conquistou até o momento:
(votos computados às 8h50, de 10/8/2014)

Diego de Santos – 1001
Toz – 761
Fernando Mendonça – 754
Daniel Escobar – 749
Paulo Nimer Pjota – 705
Pablo Ferretti – 598
Ronald Duarte – 567
Arthur Scovino – 472

O segundo turno acontece do dia 3 ao 10 de agosto.
O artista que obtiver mais votos no 2º turno será o vencedor do PIPA Online Popular, e receberá o prêmio de R$5mil.
Já vencedor do PIPA Online será decidido, por um júri, entre os 5 artistas mais votados no 2º turno. Ele receberá o prêmio de R$10 mil além de uma participação de 2 meses no programa de residências, no renomado Instituto Sacatar, na Bahia.

A dinâmica de votação no segundo turno funciona como no primeiro turno.
Se tiver dúvidas de como votar clique aqui.

Vídeo-entrevista com Vivian Caccuri

Duas mesas – uma que funciona como um escritório e outra para trabalhos -, algumas plantas, um sofá e muitos gravadores compõem o espaço onde trabalha Vivian Caccuri, cuja obra consiste em criar relações entre a gravação de sons, o espaço público, a voz e a imaginação por meio de performances, objetos e instalações.

Em resposta à Renata Azambuja, que pergunta “A sua forma de trabalhar é solitária ou envolve o coletivo?”, Vivian explica que seus projetos envolvem outras pessoas, e em algumas performances ela convida pessoas para criar apresentações.

Ela exemplifica com “Bananokê”, uma oficina cujo objetivo era “mostrar para pessoas que às vees não tem intimidade com o fazer artístico quais são os passos a serem dados, desde o insight até a apresentação da ideia.” O resultado foi uma bananeira que funcionava como um karaokê, cujos microfones saíam das folhas como frutas.

“Agora eu estou cada vez mais me projetando para sair, ficar em volta, me envolver com as pessoas.”, analisa Vivian.

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre sua carreira e ver fotos de suas obras, acesse a página de Vivian Caccuri.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

19ª parcial da votação do 2º turno do PIPA Online 2014

Este é o penúltimo dia de votação do PIPA Online 2014.
Participam da votação apenas os artistas indicados ao PIPA 2014 que obtiveram pelo menos 500 votos no primeiro turno.

Veja quem são os artistas que participam do 2º turno e quantos votos do público cada um conquistou até o momento:
(votos computados às 18h20, de 9/8/2014)

Diego de Santos – 926
Daniel Escobar – 703
Paulo Nimer Pjota – 689
Fernando Mendonça – 681
Toz – 677
Pablo Ferretti – 570
Ronald Duarte – 562
Arthur Scovino – 471

O segundo turno acontece do dia 3 ao 10 de agosto.
O artista que obtiver mais votos no 2º turno será o vencedor do PIPA Online Popular, e receberá o prêmio de R$5mil.
Já vencedor do PIPA Online será decidido, por um júri, entre os 5 artistas mais votados no 2º turno. Ele receberá o prêmio de R$10 mil além de uma participação de 2 meses no programa de residências, no renomado Instituto Sacatar, na Bahia.

A dinâmica de votação no segundo turno funciona como no primeiro turno.
Se tiver dúvidas de como votar clique aqui.