MAM-Rio realiza conversa “Em torno de Alimentário”

(Rio de Janeiro, RJ)

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) realiza no dia 30 a conversa “Em torno de Alimentário”, com o idealizador da exposição Felipe Ribenboim.

Sobre a exposição:
O desafio e a ambição de “Alimentário”, concebida por Felipe Ribenboim, é de não ser uma exposição convencional, facilmente catalogada. Não é uma exposição de obras de arte, por exemplo, se pensarmos que ela inclui, entre outras coisas, textos, documentos históricos, utensílios de cozinha, pesquisas culinárias contemporâneas, fotografias e vídeos documentais. Também não é uma exposição propriamente didática ou histórica, porque existem, na visão a voo de pássaro que aqui se apresenta, hiatos e elipses, redundâncias e idiossincrasias. A estratégia da curadoria foi apresentar um retrato, talvez incompleto, mas sem dúvida sugestivo, de como o universo dos alimentos e da culinária, aos poucos e de maneira discreta, contribuiu para a constituição do Brasil que conhecemos.

“Em torno de Alimentário”, conversa com Felipe Ribenboim
Dia 30 de julho, às 16h
A exposição segue em cartaz até 10 de agosto

Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo 20021-140 Rio de Janeiro RJ Brasil.
T +55 (21) 3883 5600
www.mamrio.org.br facebook/museudeartemodernarj
twitter/mam_rio

Horários (inverno: 07 jun – 28 set)
ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h
A bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.

Ingressos
Exposições R$12,00 (inclui uma sessão gratuita na cinemateca válida no dia da emissão do ingresso).
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$6,00. Domingos ingresso família até 5 pessoas R$12,00.
Cinemateca R$6,00
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$3,00. GRATUIDADES Amigos do l, crianças até 12 anos e funcionários das empresas mantenedoras e parceiras (mediante apresentação de crachá, com direito a um acompanhante) e quartas após às 15h.

Como chegar Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont

Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul >> Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438 (Leblon), 154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte >> 422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel),401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste >> Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Metrô: Estação Cinelândia

Acesso a deficientes Cadeiras de rodas, rampas de acesso até os salões de exposição, elevadores e sanitários especiais.

Estacionamento Pago no local 7h – 22h

Para mais informações acesse http://mamrio.org.br.

Mostra coletiva “Alimentário: arte e patrimônio alimentar brasileiro” em cartaz no MAM-Rio

(Rio de Janeiro, RJ)

O Museu de Arte Moderna do Rio recebe a exposição “Alimentário – arte e patrimônio alimentar brasileiro”, que tem como foco a cozinha brasileira. A mostra traz por meio de textos, documentos históricos, objetos etnográficos, pesquisas de culinária contemporânea, fotografias, vídeos documentais, objetos de cozinha e imagens de pratos criados por chefs, a relação entre cozinha e obras de arte. A proposta é envolver os visitantes em uma ambientação que desperte a memória afetiva e visual.

“A estratégia da curadoria foi exibir um retrato sugestivo de como o universo dos alimentos e da culinária contribuiu para a constituição visual e do imaginário brasileiro de hoje. Mais do que apresentar documentos e obras que contassem a mesma história, o que seria impossível, buscou-se por meio das obras, expor um retrato do universo alimentar brasileiro que fosse fiel no sentido de reproduzir não seus traços externos, mas a pluralidade, a diversidade e até o seu estado de permanente transformação”, afirma o curador Jacopo Crivelli Visconti.

Dividida em três partes, foi concebida por Felipe Ribenboim, chef de cozinha com passagem pelo El Bulli e pelo Arzak, na Espanha, e ex-sócio do Dois Cozinha Contemporânea, em parceria com Rodrigo Villela, a exposição tem curadoria de Jacopo Crivelli Visconti.

O primeiro núcleo da mostra, “prelúdio”, reúne expedições de exploração do território nacional; o segundo, “raízes”, é direcionado à cozinha indígena e a influência da mandioca em nossa gastronomia; o terceiro, com o nome “brasilidade” aborda a miscigenação, os ciclos econômicos e a criação contemporânea, tanto de artistas como de chefs brasileiros.

Artistas participantes: Adriana Varejão, Alex Atala, Amilcar Packer, Ana Luiza Dias Batista, Arnaldo Antunes, Ayrson Heráclito, Beatriz Milhazes, Caetano Dias, Caio Reisewitz, Candido Portinari, Carl Friedrich Philipp von Martius, Débora Bolsoni, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Estevão Roberto da Silva, Ferdinand-Jean denis, François Louis de Castelnau, Fulvio Pennachi, Harald Shultz, Haruo Ohara, Hector Zamora, Heinz Foerthmann, Helena Rizzo & Daniel Redondo, Hélio Oiticica, Henschel & Benque, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Johan Nieuhof, Johann Baptist von Spix, Johann Mortiz Rugendas, Lasar Segall, Lenora de Barros, Luciano Mello Witkowski Pinto, Marc Ferrez, Marcos Coelho Benjamin, Marepe, Matheus Rocha Pitta, Maureen Bisilliat, Mauricio Dias & Walter Riedweg, Paulo Nazareth, Paulo Nimer Pjota, Regina Silveira, Rodrigo Oliveira, Thiago Castanho, Thomas Marie Hippolyte Taunay, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret, Victor Frond, Vik Muniz, Vicenzo Pastore, Wesley Duke Lee, Willem Piso

“Alimentário: Arte e patrimônio alimentar brasileiro”, com Amilcar Packer, Caetano Dias, Caio Reisewitz, Erika Verzutti, Hector Zamora, Lenora de Barros, Matheus Rocha Pitta, Paulo Nazareth e Paulo Nimer Pjota
Em cartaz até 10 de agosto
Terça a sexta, de 12h a 18h; fins de semana e feriados, de 11h a 18h

MAM-Rio
Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo
Rio de Janeiro RJ
+55 (21) 3883 5600
fax.: +55 (21) 3883 5612

Abertura | “Mostra carioca: A impureza como mito”

(Belém, PA e Fortaleza, CE)

O MAM-Rio leva a exposição “Mostra Carioca” ao Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém, e ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

A curadoria é de Luiz Camillo Osorio (curador do MAM-Rio e conselheiro do PIPA) e da portuguesa Marta Mestre (assistente de curadoria do MAM-Rio), e reúne obras emblemáticas de um conjunto de artistas brasileiros cuja produção vincula-se às especificidades da cena cultural do Rio de Janeiro dos anos 1960 até o presente.

Esta mostra não pretende “tematizar” o Rio, mas revelar o quanto a cidade foi e permanece sendo um espaço ao mesmo tempo caótico e criativo que alimentou uma vontade de arte que combina improvisação e rigor.

Do final do modernismo, passando pelo concretismo, pelo neoconcretismo, pela pop e pelo conceitualismo, e chegando ao momento contemporâneo, uma espécie de “espírito carioca” se deixou insinuar.

Este “espírito” se bifurca, depois do advento da abstração, entre o gesto informal e a estrutura geométrica, a percepção de ritmos gráficos e simbólicos, que se deixam conduzir pelo lirismo interior, e uma via na qual o fazer do corpo (a mão do artista, o olhar do espectador) quer se desdobrar em uma espécie de pulsação do espírito.

A cidade está, obviamente, presente neste recorte. Muitas das imagens que aqui se apresentam dão a ver o espaço da sociabilidade carioca a contrapelo do clichê da “cidade maravilhosa”. Fazem-nos perceber a “Cidade Partida” de Zuenir Ventura, entre o morro e o asfalto, entre o gesto informal e a estrutura geométrica, onde atritos e afetos se complementam e as identidades permanecem em trânsito.

Desta forma, os trabalhos foram escolhidos pela sua capacidade de propor imagens reconfiguradas do Rio de Janeiro e da sua vida urbana enquanto espaço de experiência cultural. Artistas reconhecidos tais como Lygia Clark, Helio Oiticica, Iole Freitas, Raymundo Colares, Antonio Dias, e artistas de uma geração mais nova tais como Adriana Varejão, José Damasceno, Gustavo Speridião, Cabelo, Paula Trope, Marcos Cardoso, entre tantos outros.

O sentido desterritorializado do espírito carioca em que o local e o global alimentam-se de desafios e inquietações comuns permitiu, com naturalidade, incorporar trabalhos do acervo do Museu das Onze Janelas, e fortalecer esta parceria institucional. Seguidamente a exposição viajará para o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza), no âmbito da itinerância Petrobras Cultural 2012.

Mostra carioca: “A impureza do mito”, com Gustavo Speridião
Curadoria de Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre
Em cartaz de 26 de julho a 21 de setembro em Belém, PA
De de 8 de outubro a 30 de novembro em Fortaleza, CE

Museu Casa das Onze Janelas
Praça Frei Caetano Brandão, s/n
Cidade Velha
55 91 40098821

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Rua Dragão do Mar, 81
Praia de Iracema
(85) 3488-8600

MAM-Rio realiza conversa “Em torno de Alimentário”

(Rio de Janeiro, RJ)

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) realiza no dia 30 a conversa “Em torno de Alimentário”, com o idealizador da exposição Felipe Ribenboim.

Sobre a exposição:
O desafio e a ambição de “Alimentário”, concebida por Felipe Ribenboim, é de não ser uma exposição convencional, facilmente catalogada. Não é uma exposição de obras de arte, por exemplo, se pensarmos que ela inclui, entre outras coisas, textos, documentos históricos, utensílios de cozinha, pesquisas culinárias contemporâneas, fotografias e vídeos documentais. Também não é uma exposição propriamente didática ou histórica, porque existem, na visão a voo de pássaro que aqui se apresenta, hiatos e elipses, redundâncias e idiossincrasias. A estratégia da curadoria foi apresentar um retrato, talvez incompleto, mas sem dúvida sugestivo, de como o universo dos alimentos e da culinária, aos poucos e de maneira discreta, contribuiu para a constituição do Brasil que conhecemos.

“Em torno de Alimentário”, conversa com Felipe Ribenboim
Dia 30 de julho, às 16h
A exposição segue em cartaz até 10 de agosto

Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo 20021-140 Rio de Janeiro RJ Brasil.
T +55 (21) 3883 5600
www.mamrio.org.br facebook/museudeartemodernarj
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Horários (inverno: 07 jun – 28 set)
ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h
A bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.

Ingressos
Exposições R$12,00 (inclui uma sessão gratuita na cinemateca válida no dia da emissão do ingresso).
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$6,00. Domingos ingresso família até 5 pessoas R$12,00.
Cinemateca R$6,00
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$3,00. GRATUIDADES Amigos do l, crianças até 12 anos e funcionários das empresas mantenedoras e parceiras (mediante apresentação de crachá, com direito a um acompanhante) e quartas após às 15h.

Como chegar Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont

Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul >> Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438 (Leblon), 154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte >> 422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel),401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste >> Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Metrô: Estação Cinelândia

Acesso a deficientes Cadeiras de rodas, rampas de acesso até os salões de exposição, elevadores e sanitários especiais.

Estacionamento Pago no local 7h – 22h

Para mais informações acesse http://mamrio.org.br.

Nova vídeo-entrevista com Toz | Artista indicado ao PIPA 2014

O grafiteiro Toz nasceu em Salvador, vive no RIo de Janeiro e seus personagens são inspirados na vida urbana moderna. Neste vídeo ele responde a uma pergunta do também artista Cadu, que quer saber: “Onde começa a vida e termina a arte?”.

Tomaz Viana, o Toz, conta que na infância sua mãe, que estudava Belas Artes, o levava para assistir algumas aulas, e que o pai o levou para fazer sua primeira tatuagem com apenas 9 anos.
Fala de como seus personagens começaram a ficar conhecidos e ganhar características específicas, e das diferenças entre fazer trabalhos na rua ou numa galeria: “na rua você passa de carro, você nunca vê um grafite com calma. Já numa galeria você tem todo o tempo do mundo para sentar e apreciar o trabalho.”

Assista ao vídeo:

Para saber mais sobre Toz, sua carreira, exposições e ver imagens de suas obras, acesse a página do artista.

Para assistir a outros vídeos de artistas indicados esse ano e nas edições anteriores, além de vídeos especiais, acesse a página de vídeos.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

MAM-Rio realiza palestra sobre Associação de Preservadores de Imagens em Movimento

(Rio de Janeiro, RJ)

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) convida para a palestra sobre a Associação de Preservadores de Imagens em Movimento (AMIA), conferência 2013, Richmond, EUA. O evento será no dia 22 de julho, às 15 horas, com Mateus Nagime, no auditório da Cinemateca do Museu.

Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo 20021-140 Rio de Janeiro RJ Brasil.
T +55 (21) 3883 5600
www.mamrio.org.br facebook/museudeartemodernarj
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Horários (inverno: 07 jun – 28 set)
ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h
A bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.

Ingressos
Exposições R$12,00 (inclui uma sessão gratuita na cinemateca válida no dia da emissão do ingresso).
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$6,00. Domingos ingresso família até 5 pessoas R$12,00.
Cinemateca R$6,00
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$3,00. GRATUIDADES Amigos do l, crianças até 12 anos e funcionários das empresas mantenedoras e parceiras (mediante apresentação de crachá, com direito a um acompanhante) e quartas após às 15h.

Como chegar Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont

Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul >> Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438(Leblon),154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte >> 422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel),401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste >> Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Metrô: Estação Cinelândia

Acesso a deficientes Cadeiras de rodas, rampas de acesso até os salões de exposição, elevadores e sanitários especiais.

Estacionamento Pago no local 7h – 22h

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Abertura | Segmento político da mostra “artevida”, no MAM-Rio

(Rio de Janeiro, RJ)

A exposição “artevida” explora a relação entre arte e vida nos anos 1950, 1960, 1970 e início da década de 1980, tendo as práticas de arte brasileiras e, particularmente do Rio de Janeiro, como ponto de partida, como as de Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape, entre outros. Com curadoria de Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura, este projeto foi pensado especialmente para ocupar o Parque Lage, Biblioteca Estadual, Casa França Brasil, e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

“artevida” não tenta escrever uma história única, coerente, nem rastrear genealogias entre artistas, tampouco pretende identificar antecessores e predecessores, e muito menos ser enciclopédica. A mostra se propõe conectar e ler certas práticas artísticas deste período através de conceitos, referências e estruturas diversos, extraindo ligações e correspondência pelas narrativas múltiplas e, desta maneira, desafiar cânones históricos. É uma mostra mais fragmentada do que monolítica, mais provisória do que definitiva. Na busca de narrativas plurais e abertas que desenvolvam diálogos entre obras e documentos, a exposição tem foco em artistas que trabalham no hemisfério sul, bem como em artistas do sexo feminino.

A exposição está dividida em dois segmentos principais:
“artevida: corpo”, na Casa França-Brasil, compreende subseções como o autorretrato, o corte e o corpo em transformação; a linha orgânica e a trama como uma alternativa à ortodoxia da abstração geometria; obras interativas e articuladas, como os “Bichos” de Lygia Clark; e “artevida: política”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com trabalhos feitos sob ou em resistência a regimes autoritários e segregacionistas, em torno de temas como racismo e feminismo, democracia e eleições, mapas e bandeiras, guerra e violência, golpes e revoluções.

Além dos dois segmentos acima, o evento tem:
“artevida: biblioteca”, na recém-aberta Biblioteca Parque Estadual, que contará com o arquivo de Paulo Bruscky, com cerca de 60.000 documentos recolhidos pelo artista, baseado em Recife, desde a década de 1960. Este arquivo será ativado através de sua pesquisa e documentação, e diferentes montagens de seleções de seus elementos serão exibidas durante a exposição, e “artevida: parque”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, terá trabalhos dentro do palacete e ao ar livre. Georges Adéagbo, artista do Benin, apresentará obra comissionada pelo evento, nas Cavalariças.

“artevida” pauta-se na necessidade de oferecer ao público um grande evento de arte contemporânea internacional, marcado por reflexões críticas e investigativas, algo inédito no Estado do Rio de Janeiro. Nesse contexto, o projeto pretende oferecer a primeira articulação em formato de exposição, publicação e um seminário desse dialogo entre a arte dos anos 50, 60 e 70 do Rio de Janeiro e a arte internacional.

Segmentos da mostra:
artevida (corpo) – Casa França Brasil
27 de junho – 21 de setembro, 2014

artevida (biblioteca) – Biblioteca do Estado do Rio de Janeiro
27 de junho – 21 de setembro, 2014 – Paulo Bruscky
21 e 22 de julho – Seminário

artevida (parque) – Escola de Artes Visuais do Parque Lage
27 de junho – 21 de setembro, 2014 – Palacete
19 de julho – 21 de setembro, 2014 – Cavalariças

artevida (política) – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
19 de julho – 21 de setembro, 2014

“artevida: política”
Abertura: 19 de julho das 17h às 19h
Em cartaz até 21 de setembro

Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
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Horários (inverno: 07 jun – 28 set)
ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h
A bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.

Ingressos
Exposições R$12,00 (inclui uma sessão gratuita na cinemateca válida no dia da emissão do ingresso).
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$6,00. Domingos ingresso família até 5 pessoas R$12,00.
Cinemateca R$6,00
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$3,00. GRATUIDADES Amigos do l, crianças até 12 anos e funcionários das empresas mantenedoras e parceiras (mediante apresentação de crachá, com direito a um acompanhante) e quartas após às 15h.

Como chegar Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont

Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul >> Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438(Leblon),154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte >> 422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel),401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste >> Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Metrô: Estação Cinelândia

Acesso a deficientes Cadeiras de rodas, rampas de acesso até os salões de exposição, elevadores e sanitários especiais.

Estacionamento Pago no local 7h – 22h

Para mais informações acesse http://mamrio.org.br.

Eduardo Coimbra, Fábio Baroli e Luiza Baldan em exposição no MAM-Rio

(Rio de Janeiro, RJ)

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) realiza a exposição Prêmio Aquisições Marcantonio Vilaça Funarte 2013, com obras dos artistas Carlos Belivacqua, Eduardo Coimbra, Ernesto Neto, Guilherme Dable, Fábio Baroli, Jimson Vilela, João Modé e Luiza Baldan.

O MAM-Rio vem desde a sua fundação destacando-se pelo compromisso de adquirir, preservar e expor a produção contemporânea. Nos últimos anos, através do edital do Prêmio Marcantonio Vilaça da Funarte temos tido a possibilidade de concorrer e conseguido adquirir obras de artistas fundamentais da história recente da arte brasileira. A ideia de incluir um conjunto de artistas e obras para concorrer ao edital aponta para o estabelecimento de uma política de aquisição através do prêmio. No que tange esta edição de 2013 agora exposta no museu destacam-se dois aspectos importantes:

1. Abranger a trajetória de artistas de referência na história recente da arte brasileira. Neste aspecto procura-se preencher lacunas ou adquirir obras ainda não incluídas no acervo MAM – seja na coleção própria do museu, seja nas coleções Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva que estão em comodato.

2. Acrescentar artistas contemporâneos à coleção que já apresentem uma inserção relevante no circuito. Desde a sua fundação, o MAM foi uma instituição aberta à experimentação e à produção dos jovens artistas daí nossa preocupação em manter esta linha de aquisição em nosso plano.

A aquisição de obras de Ernesto Neto, Carlos Bevilacqua, Eduardo Coimbra, João Modé, Luiza Baldan, Guilherme Dable, Jimson Vilela e Fábio Baroli, preenchem estes requisitos acima, trazendo ao museu duas gerações distintas com um conjunto especial de trabalhos, qualificando assim o acervo do MAM-Rio.
Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre, curadores MAM-Rio

Prêmio Aquisições Marcantonio Vilaça Funarte 2013
Em cartaz de 3 de julho a 27 de agosto

Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo 20021-140 Rio de Janeiro RJ Brasil.
T +55 (21) 3883 5600
www.mamrio.org.br facebook/museudeartemodernarj
twitter/mam_rio

Horários (inverno: 07 jun – 28 set)
ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h
A bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.

Ingressos
Exposições R$12,00 (inclui uma sessão gratuita na cinemateca válida no dia da emissão do ingresso).
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$6,00. Domingos ingresso família até 5 pessoas R$12,00.
Cinemateca R$6,00
Maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos R$3,00. GRATUIDADES Amigos do l, crianças até 12 anos e funcionários das empresas mantenedoras e parceiras (mediante apresentação de crachá, com direito a um acompanhante) e quartas após às 15h.

Como chegar Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont

Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul >> Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438(Leblon),154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte >> 422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel),401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste >> Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Metrô: Estação Cinelândia

Acesso a deficientes Cadeiras de rodas, rampas de acesso até os salões de exposição, elevadores e sanitários especiais.

Estacionamento Pago no local 7h – 22h

Para mais informações acesse http://mamrio.org.br.

Novo vídeo | Entrevista com Virgílio Neto

Dando continuidade às entrevistas com artistas indicados ao PIPA 2014, lançamos agora esta conversa com Virgílio Neto.

Natural de Brasília, DF, onde vive e trabalha, Neto foi indicado ao PIPA pela primeira vez em 2013.
Nesta entrevista ele responde à seguinte pergunta da crítica e curadora Alejandra Muñoz: “Como você escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho?”

“Eu acho que é natural, o artista ele quer falar alguma coisa, que muitas vezes ele não sabe o que ele quer falar, mas ele tem que falar. A questão não é necessariamente o tema, mas a forma como você trata. A forma como você faz aquilo emergir.”

Fala de uma exposição individual com mais de 200 desenhos realizada no ano passado e mostra seus cadernos que segundo o artista são seus companheiros, onde ele desenha e faz anotações “na verdade eu anoto mais pra anotar, porque eu quase não esqueço. Quando é idéia boa a gente não esquece.”

Assista ao vídeo:

Acesse a página de Virgílio Neto para saber mais sobre sua carreira, assistir a outros vídeos e ver imagens de seus trabalhos.

Assista às outras entrevistas com artistas indicados ao PIPA.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.

Entrevista exclusiva | Fábia Schnoor artista indicada ao PIPA 2014

Fábia Schnoor tem formação em artes visuais, cerâmica, arte educação e design e foi indicada ao PIPA pela primeira vez este ano.

Nesta entrevista ela responde a uma pergunta da crítica e curadora Alejandra Muñoz sobre como escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho, explicando que muitas vezes esta escolha se dá por fatos do cotidiano que a estimulam, e que outras vezes ela vai em busca essas temáticas.

A artista afirma que trabalha muito com a questão do acaso, fala sobre como é trabalhar com o nanquim e sobre a série “Traças, pontos e linhas”.

Schnoor conta também que gosta de estar totalmente solta no fazer do seu trabalho. “Eu gosto de me sujar, gosto de ter liberdade nessa ocupação do espaço, mas para recomeçar eu preciso recolocar no lugar.”

Assista à entrevista:

Acesse a página de Fábia Schnoor para saber mais sobre sua carreira, assistir a outros vídeos e ver imagens de seus trabalhos.

Assista às outras entrevistas com artistas indicados ao PIPA.

Vídeos PIPA

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto de Luiz Camillo Osorio, onde ele destaca a importância dos vídeos do PIPA:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA.